Balneário Camboriú

Fim da pesca da tainha gera reações em Balneário Camboriú

Centenas de pescadores que atuam na pesca artesanal de tainha em Santa Catarina enfrentam uma situação complicada após a interrupção da temporada nessa segunda-feira (8). O motivo? A cota de captura para a técnica de arrasto de praia foi esgotada. Em Balneário Camboriú, a prefeitura já manifestou preocupação com o impacto econômico que essa decisão pode gerar, especialmente porque essa prática é uma tradição enraizada na região.

A administração municipal reconhece a importância das justificativas ambientais para a decisão, mas lamenta que a suspensão ocorra em um momento em que a safra estava apresentando resultados positivos. A prefeitura ressaltou que a pesca da tainha não é apenas uma atividade econômica; é um componente cultural e histórico fundamental para a comunidade local. É triste saber que, a partir de agora, muitos pescadores ficarão sem sua principal fonte de renda.

Em 2026, a cota total autorizada para a pesca de tainha alcançou 5.216 toneladas, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Essa marca é a maior desde que o sistema de cotas foi implementado em 2018. A pesca da tainha, considerada patrimônio cultural imaterial desde 2012, movimenta comunidades pesqueiras durante os meses de outono e inverno, quando a espécie migra em direção ao litoral catarinense para se reproduzir.

A introdução de cotas surgiu depois de anos de preocupação com a redução dos estoques pesqueiros, buscando controlar a captura e assegurar a sustentabilidade da espécie. Contudo, as regras geram discordâncias entre o Governo Federal, o Governo de Santa Catarina e representantes do setor pesqueiro, refletindo a complexidade do tema.

O Ministério da Pesca e Aquicultura explica que os limites de captura são baseados em critérios científicos. Entretanto, muitos no setor pesqueiro pedem flexibilizações, especialmente para a pesca artesanal, apontando os impactos sociais e econômicos que medidas como essas podem trazer para as comunidades.

Nos últimos anos, as discussões sobre a pesca da tainha se intensificaram. Este ano, por exemplo, a modalidade industrial de cerco/traineira recebeu cota zero devido a excessos em capturas em temporadas anteriores. Para a prefeitura de Balneário Camboriú, o fechamento da pesca em um período de boa produtividade traz preocupações adicionais, afetando diretamente as famílias que dependem dessa atividade para complementar seu sustento durante a migração da tainha.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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