Remoção do ‘Titanic de SC’ permitirá ampliação de porto
Após 130 anos de mistério e silêncio nas profundezas do mar, o Pallas, carinhosamente chamado de “Titanic de SC”, está prestes a ser retirado do fundo do canal entre Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. A ação, que começou com a assinatura de um convênio de R$ 600 mil nesta segunda-feira (25), promete não só recuperar a história, mas também ampliar o porto e modernizar a infraestrutura da região.
Esse convênio foi firmado entre o Porto de Itajaí e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que ficará responsável pelos estudos técnicos de remoção do navio. Esses estudos devem ser concluídos em até dois meses e vão ajudar a delinear como essa tarefa será realizada, já que o Pallas encontra-se submerso na entrada do canal.
A história do navio é intrigante. Ele afundou em 1893, durante a Revolta da Armada, e seus destroços estão na região do molhe de Navegantes. Conta-se que o Pallas foi trazido para Santa Catarina para reabastecimento, mas acabou naufragando no rio Itajaí-Açu. Os registros sobre a embarcação revelam que ela operava como um navio a vapor frigorífico, transportando carnes e cargas entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro, e fazia escalas em Itajaí.
### Impacto Simultâneo na História e na Economia
A retirada do Pallas é essencial para a expansão da bacia de evolução do canal portuário, onde o espaço de manobra para os navios passará a ter um diâmetro de 530 metros. Essa mudança deve aumentar a segurança nas manobras de embarcações maiores, que são cada vez mais comuns no comércio global.
Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí, comentou sobre a importância dessa remoção. Ele destacou que, atualmente, o Pallas limita o desenvolvimento do porto, que precisa se adaptar às novas exigências dos navios modernos. A profundidade do canal será ampliada para até 16 metros após a remoção, permitindo que o Porto se alinhe às tendências internacionais de crescimento das embarcações cargueiras.
### Mergulhando na História
O Pallas, construído em 1891 na Inglaterra, ganhou fama durante a Revolta da Armada, mas não tomou parte ativa nos combates. Seu naufrágio, no dia 25 de outubro de 1893, ocorreu em uma área hoje conhecida como a barra do Porto de Itajaí, um local que naquela época era muito diferente do que vemos hoje, sem o molhe norte.
Os destroços do navio estavam esquecidos até serem redescobertos em 2017, quando obras de dragagem revelaram sua localização. Pesquisadores confirmaram que a embarcação mede cerca de 67 metros e está dividida em duas partes a cerca de 40 metros de distância uma da outra no fundo do rio.
No entanto, a remoção do Pallas não será uma tarefa fácil. A área onde ele está situado apresenta desafios significativos: visibilidade baixa, águas contaminadas, fortes correntes e um fluxo intenso de embarcações. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) já reconheceu a complexidade dessa operação.
Essa história, que mistura passado e futuro, nos lembra que lugares como Santa Catarina têm narrativas ricas a descobrir e redescobrir, e a saída do Pallas do fundo do mar certamente é apenas o começo de um novo capítulo para a região.



