Pena para irregularidades no mercado imobiliário em SC pode aumentar
Santa Catarina tem enfrentado um grande desafio no setor imobiliário, com 6.664 autuações por exercício ilegal da profissão de corretor de imóveis entre 2022 e 2025. Esse número subiu para 862 apenas em 2026, de acordo com o Creci-SC. Para lidar com essa situação, está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei que mira em punições mais severas para quem atua sem registro na profissão.
Hoje, o exercício ilegal é classificado como uma contravenção penal, trazendo pena de 15 dias a três meses de prisão ou multa. Com a nova proposta, essa prática pode ser tratada como crime, passando a ter penas que variam de seis meses a três anos de reclusão — sem contar a multa, especialmente se houver lucro envolvido.
O delegado Ulisses Gabriel, que já foi delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, acredita que as sanções atuais não são suficientes frente aos prejuízos que as fraudes imobiliárias podem causar. Em cidades turísticas, como Balneário Camboriú e Itapema, os riscos são ainda maiores. Para se ter uma ideia, algumas fraudes envolvem o uso de fotos e informações reais de imóveis, montando anúncios falsos para receber depósitos de clientes. Depois, os golpistas desaparecem sem entregar nada.
“Quando um corretor atua sem registro, coloca o consumidor em risco. O mercado imobiliário envolve negociações de valores elevados, e isso exige uma abordagem profissional e ética”, explica Gabriel.
### A gravidade do cenário
Um corretor registrado no Creci está sujeito a fiscalização e tem a formação necessária, podendo ser responsabilizado por irregularidades. Já aqueles que atuam sem registro não têm essas obrigações, o que aumenta o risco para os consumidores.
O delegado ressalta que muitos anúncios suspeitos oferecem imóveis com preços bem abaixo do mercado. Por exemplo, um imóvel avaliado em R$ 1 milhão pode aparecer por R$ 600 mil, sinalizando que algo não está certo. Ele alerta: “Se o preço parece bom demais para ser verdade, é bom desconfiar”.
### Formando profissionais capacitados
Diogo Martins, CEO do Instituto Brasileiro de Educação Profissional (IBREP), reforça a importância de criminalizar essas ações, ao mesmo tempo que defende a valorização da formação técnica dos corretores. Comprar ou vender um imóvel é uma das decisões mais relevantes na vida de uma pessoa, e ter um profissional capacitado é fundamental para orientar sobre documentação, legislação, financiamentos e outros aspectos da negociação.
### Dicas de prevenção
Para evitar problemas, a recomendação é simples. Quem vai comprar, vender ou alugar um imóvel deve sempre verificar se o profissional está registrado no Creci. Desconfiar de preços muito abaixo do normal e pesquisar a boa reputação da empresa também é crucial. Além disso, evite transferências antecipadas sem a documentação certa.
Caso haja suspeita ou até mesmo prejuízo, é importante registrar um boletim de ocorrência e entrar em contato com o Creci para saber se alguém devidamente habilitado está envolvido na negociação. Isso tudo ajuda a manter o mercado mais seguro e transparente.



