Itapema

A cidade vizinha de Balneário Camboriú que atrai investidores

Itapema, uma joia do Litoral Norte de Santa Catarina, agora ostenta o título de cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil. Dados do Índice FipeZAP mostram que o preço médio por metro quadrado na cidade já chega a R$ 15.327, superando até a famosa Balneário Camboriú, que registrou R$ 15.228. Não é à toa que esse fenômeno tem chamado a atenção de investidores e especialistas.

O cenário está em alta. Em junho de 2026, Itapema viu uma valorização de 0,67%, com um crescimento acumulado de 3,15% apenas neste ano e 5,25% nos últimos 12 meses. Essa força coloca a cidade na dianteira, à frente de lugares conhecidos como Vitória, Florianópolis e Itajaí.

De acordo com o corretor Bruno Cassola, essa trajetória tem a ver com uma estratégia bem elaborada que Itapema adotou nos últimos cinco anos. O foco foi usar o mercado imobiliário como uma alavanca para crescimento econômico e aumento da arrecadação. Ele menciona que a flexibilização do plano diretor, que permitiu construções mais altas e um aumento na capacidade construtiva, atraiu incorporadoras e gerou recursos para investimentos públicos.

O destaque na valorização de Itapema

Cassola explica que esse modelo é semelhante ao que ajudou Balneário Camboriú a crescer nas últimas décadas, mas com um maior espaço para a liberdade urbanística. Essa combinação fez de Itapema um nome em evidência no país, garantindo o maior preço médio do metro quadrado residencial.

Além disso, ele crê que a cidade ainda pode se expandir mais. Há terrenos disponíveis e a possibilidade de desenvolver novos empreendimentos em diferentes áreas. Isso faz com que Itapema deva continuar a aumentar sua produção imobiliária e a se distanciar de Balneário Camboriú em termos de preços médios.

Por outro lado, Cassola ressalta que esse ranking é uma média do município. Isso quer dizer que imóveis na orla de Balneário, por exemplo, continuam mais valorizados que na maioria dos bairros de Itapema. Ele explica que Balneário Camboriú já tem uma ocupação mais consolidada, enquanto Itapema está se desenvolvendo em várias regiões.

Outra coisa a considerar é como esse crescimento pode representar uma nova fase para o mercado imobiliário em Itapema. O volume crescente de construções vai exigir um olhar atento para investimentos em infraestrutura, mobilidade e saneamento. Caso contrário, um aumento excessivo de preços pode trazer dificuldades no futuro, como uma menor liquidez no mercado.

Expectativas e realidades do mercado imobiliário

Cassola também comenta sobre como a liderança nacional de Itapema afeta a percepção de proprietários e investidores. Com notícias sobre valorização, é comum que os vendedores ajustem suas expectativas e peçam valores mais altos. Ele ainda adverte que o preço que aparece no anúncio nem sempre reflete o valor que será de fato negociado — isso depende do entendimento entre o que o vendedor quer e o que o comprador está disposto a pagar.

Com a fase de euforia do crescimento, Itapema está entrando em um novo momento, onde a competição vai exigir atenção a preços, infraestrutura e a capacidade de absorver a oferta no mercado.

As cidades da região, como Balneário Camboriú e Itapema, vão precisar se concentrar não apenas no valor do metro quadrado, mas também na qualidade dos empreendimentos e na estrutura urbana. Essa disputa vai definir o futuro do mercado imobiliário por lá, e a qualidade vai ser um diferencial fundamental.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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