Testemunhas de morte de bebê em hospital serão ouvidas após dois anos
Quase dois anos após a morte do pequeno Theo Francisco Neumann, de apenas 1 ano e 9 meses, a situação volta a ser investigada. O menino faleceu no Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, e agora a Polícia Civil está ouvindo testemunhas para compreender melhor o que aconteceu. Theo faleceu em agosto de 2024, devido a complicações de uma pneumonia, e as investigações tentam entender se houve falhas no atendimento.
Estão previstos depoimentos de pelo menos dez pessoas, incluindo médicos, enfermeiros e até integrantes da gestão do hospital. Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a negativa de transferência do Theo para uma UTI pediátrica, mesmo com uma vaga disponível em outro hospital.
O caso gerou muita comoção na época, especialmente porque Theo e outro bebê também faleceram em um curto espaço de tempo no mesmo hospital. A família, preocupada e angustiada, registrou uma denúncia que levou à abertura de um inquérito para investigar por possível negligência médica.
Testemunhas vão ser ouvidas sobre a morte de Theo
Os advogados da família, Juliano Cavalcanti e Leonardo da Silva Siqueira, solicitaram novos depoimentos ao Ministério Público de Santa Catarina para dar continuidade à investigação, que antes havia sido encerrada sem conclusões claras sobre erro médico ou negligência. “Recebemos o prontuário dele e não conseguimos entender por que ele permaneceu no Ruth Cardoso, sendo que havia leito disponível em outro hospital. Queremos saber a justificativa da equipe médica”, comenta Leonardo.
Além das declarações dos profissionais de saúde que atenderam Theo, também serão ouvidas pessoas que se ofereceram para ajudar a transportar o menino para um outro hospital e uma funcionária de uma instituição que tinha vaga para internação.
Na época do ocorrido, o menino começou a apresentar febre alta no dia 8 de agosto de 2024 e foi levado ao Hospital de Camboriú. Recebeu um diagnóstico de escarlatina e foi medicado, mas não melhorou. A família foi ao Hospital Ruth Cardoso naquela mesma noite, onde Theo fez um exame de raio-X e recebeu alta novamente, com um diagnóstico de bronquiolite.
Após dois dias, com o quadro se agravando, ele foi atendido numa UPA e transferido para o Ruth Cardoso em estado grave. No hospital, foi diagnosticado com pneumonia e precisou ser intubado. Durante a madrugada do dia 11 de agosto, uma vaga em UTI pediátrica estava disponível em outro hospital, mas, segundo a família, a autorização para a transferência foi negada sem explicação técnica no prontuário.
Segundo os advogados, depois da autorização ser negada, ocorreram também problemas na troca de oxigênio do garoto, que não foi documentada corretamente. Pouco tempo depois, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu. A mãe de Theo, muito emocionada, comentou que acreditava que a história poderia ter sido diferente se ele fosse internado na primeira consulta.
“Eu poderia estar aqui com meu filho. Estou vivendo uma tristeza que não passa. Ele não volta mais”, desabafou a mãe.
O hospital, na época, afirmou que todo o atendimento foi prestado de forma adequada, mas que a gravidade da situação do menino evoluiu rapidamente. Depois do caso, os pediatras envolvidos foram afastados até que todas as investigações fossem concluídas.



