Itajaí e Região

Titanic de SC será retirado do fundo após conta armada

O vapor Pallas, carinhosamente apelidado de “Titanic de SC”, pode finalmente ser retirado do fundo da barra do Porto de Itajaí. Esse navio, que afundou durante a Revolta da Armada, um dos conflitos mais intensos do Brasil no final do século 19, virou parte da história local. O naufrágio aconteceu após uma colisão com pedras no pontal de Navegantes entre os dias 23 e 25 de outubro de 1893, enquanto transportava membros de uma escuridão chamada Esquadra Libertadora.

Construído em 1891, na Inglaterra, o Pallas era um navio frigorífico, famoso por transportar carnes entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro. Ele também fazia paradas em Itajaí para carregar carvão. O navio ganhou destaque durante a Revolta da Armada, movida por insatisfações na Marinha do Brasil, que na época buscava tirar Floriano Peixoto do poder.

### Naufrágio sem vítimas

Segundo registros pesquisados pelo historiador Euclides José da Cruz, o Pallas colidiu com uma pedra na entrada do rio Itajaí-Açu, mas, surpreendentemente, ninguém se feriu. O afundamento foi documentado em jornais da época e até tentou-se leiloar a embarcação encalhada. Um anúncio no jornal O Estado, de Desterro — hoje Florianópolis —, alertava sobre isso em novembro de 1893.

Moradores mais antigos de Navegantes também se lembram do navio. A área onde partes dele eram visíveis ficou conhecida como “Prainha do Pallas”. Mesmo depois do naufrágio, as estruturas do navio emergiam pela areia, antes de ceder ao fundo do rio. Além disso, um edital do Jornal do Commercio mencionava que parte da tripulação precisou ser resgatada após o acidente.

### Redescoberta durante dragagem

Anos se passaram e o Pallas quase foi esquecido, até que, em 2017, ele foi redescoberto durante dragagens para aprofundar o canal do Porto de Itajaí. A draga chinesa responsável pela obra atingiu a estrutura submersa e suspendeu os trabalhos, iniciando uma investigação detalhada sobre esse tesouro submerso.

Pesquisadores, mergulhadores e historiadores se uniram para compilar documentos da Marinha do Brasil, registros históricos e arquivos do Museu Histórico de Itajaí. Acreditava-se que o navio tinha 110 metros, mas estudos mostraram que ele mede cerca de 67 metros e estaria partido, com as duas metades a cerca de 40 metros de distância uma da outra.

### Desafios na remoção

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) apontou que remover o casco traz desafios técnicos. A área do naufrágio é de baixa visibilidade e fundo lamoso, com água contaminada, além do intenso tráfego de embarcações. O processo também enfrentou obstáculos burocráticos e necessitou de aprovações de vários órgãos.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) se envolveu para garantir que o salvamento respeitasse a importância histórica do Pallas.

### Futuro do Pallas

Na próxima segunda-feira (25), a autoridade portuária vai assinar um contrato para o estudo técnico necessário para a retirada do navio. O superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, comentou que essa ação é estratégica para aumentar a navegabilidade do porto, permitindo a chegada de navios maiores.

Artur destacou que o Pallas está no fundo do canal há mais de um século e que a remoção é parte de um plano maior de modernização da infraestrutura. A expectativa é que essa ação dê uma nova vida ao Porto de Itajaí, reconhecendo e preservando sua história ao mesmo tempo.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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