Presidente anuncia construção de quatro novos navios na Marinha em SC
O presidente Lula fez um anúncio importante nesta segunda-feira (20): a construção de quatro novas fragatas da classe Tamandaré. A revelação aconteceu em Hanôver, na Alemanha, durante uma reunião sobre o Acordo Mercosul-União Europeia.
Ele comentou sobre essas embarcações enquanto conversava com o chanceler federal Friedrich Merz. Segundo Lula, “um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe ‘Tamandaré’, com entrega prevista até 2028. Em Hanôver, avançamos nas tratativas para a aquisição de mais quatro unidades.”
Embora os detalhes sobre a construção desses navios ainda sejam escassos, tudo indica que a fabricação continuará em Itajaí. Lá, já estão em produção três embrações, todas feitas no TMKS Estaleiro Brasil Sul, pertencente ao grupo alemão ThyssenKrupp.
Fragata Tamandaré passou por teste de armas
Das quatro fragatas da primeira leva, uma já está pronta. A “Tamandaré” (F200) passou por testes de armamento de 9 a 13 de abril, na área marítima de Cabo Frio. Construída em 2022, ela foi lançada ao mar em agosto de 2024 e superou a velocidade esperada nos testes de 2025.
A embarcação chegou ao Rio de Janeiro em 16 de março deste ano, após percorrer cerca de 765 quilômetros desde Itajaí. A “Tamandaré” é a primeira de uma série que inclui as fragatas “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203), que estão em diferentes fases de construção. A expectativa é que essas novas unidades ampliem progressivamente a capacidade naval do Brasil ao longo dos próximos anos.
A fase final deste processo está marcada para 24 de abril, com uma cerimônia de Mostra de Armamento, que vai oficializar a incorporação do navio à Marinha. Isso é um grande passo para a modernização da força naval e a indústria militar do país.
Navios de guerra da Marinha têm cerca de 3.500 toneladas
As fragatas da classe Tamandaré têm cerca de 3.500 toneladas, além de convoo e hangar para helicópteros. Esse novo salto tecnológico é um passo crucial para a Marinha, pois o navio-escolta tem um papel estratégico: proteger embarcações de maior valor e atuar em operações de superfície, guerra antissubmarino e missões internacionais.
A incorporação das novas fragatas ocorre em um cenário que exige uma atenção redobrada à proteção das rotas marítimas e da infraestrutura crítica nas Águas Jurisdicionais Brasileiras. Esses fatores tornam ainda mais necessário ter uma força naval moderna e bem equipada.
As fragatas vêm armadas com tecnologia de ponta. Na proa, está o canhão Leonardo 76/62 mm Super Rapid, que dispara até 120 tiros por minuto e tem alcance eficaz de cerca de 16 quilômetros. Esse canhão é versátil e pode ser usado contra aeronaves e alvos de superfície.
Outro destaque é o sistema Sea Ceptor, que utiliza mísseis CAMM lançados verticalmente. Essa configuração permite lidar com ameaças aéreas rapidamente, sem que o navio precise se mover.
Além disso, a defesa de proximidade é feita pelo Rheinmetall Sea Snake de 30 mm, projetado para lidar com ameaças como embarcações rápidas e drones. As metralhadoras FN Herstal Sea Defender de 12,7 mm, operadas remotamente, também fazem parte do arsenal, garantindo estabilidade e rastreamento automáticos.
Em combate antinavio, a fragata pode usar o sistema ITL 70A para lançar o míssil Exocet MM40 ou o MANSUP, uma inovação da indústria de defesa brasileira, ampliando suas opções táticas.
Radar é capaz de detectar alvos aéreos e de superfície
O radar Hensoldt TRS-4D Rotator é mais um ponto forte, capaz de detectar alvos aéreos e de superfície, acompanhando até mil contatos simultaneamente. Para o controle de armas, o radar Thales STIR 1.2 é essencial.
As alças optrônicas Safran Paseo XLR proporcionam vigilância diurna e noturna, sem emissão eletromagnética — isso é estratégico em cenários de guerra eletrônica. O sistema brasileiro MAGE MB Omnisys Defensor MK3 ajuda a identificar e classificar emissões de radares adversários.
Além de tudo isso, a F200 vai contar com o helicóptero SH-16 Seahawk, que é equipado com sonar, radar e armamentos como torpedos e mísseis. O VANT ScanEagle, usado em missões de inteligência e vigilância, também será parte desse arsenal, ampliando o alcance de detecção e resposta.



