Balneário Camboriú

Pai detido por compartilhar material sexual da filha em SC é solto

Uma operação da Polícia Federal resultou na prisão de um homem, suspeito de abuso infantil contra a própria filha de quatro anos em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. O caso ganhou notoriedade após a mãe da criança lutar por meses para provar que a menina estava sendo vítima de abuso. A prisão ocorreu por conta da produção e compartilhamento de material sexualizado da filha.

A história começou quando a mãe notou mudanças no comportamento da sua filha. A menina, antes alegre, começou a ter pesadelos frequentes e exibir comportamentos sexualizados. Após passar um final de semana com o pai, ela revelou que havia sido machucada, o que fez com que a mãe buscasse entender melhor a situação.

Em uma entrevista, a mãe contou que, ao chegar em casa, a filha se mostrava visivelmente alterada e disse: “ele machucou meu bumbum”. Isso deixou a mulher muito preocupada e a motivou a investigar mais. Em certos momentos, a criança questionava se a “bruxa” iria pegá-la, o que deixou a mãe ainda mais alarmada. A menina também ganhou uma maquiagem e, ao ser questionada sobre como aprendeu a usá-la, citou um “shopping diferente” que frequentava com o pai, onde, segundo ela, havia um espelho e uma cama. Em conversas gravadas, ela também mencionou que o pai a filmava.

Apesar de reunir essas evidências, o caso não avançou inicialmente. A denúncia, que começou em Itajaí, foi encaminhada para Balneário Camboriú, mas o material gravado não foi considerado suficiente. O pai da criança até processou a mãe por alienação parental, fazendo com que ela enfrentasse a possibilidade de perder a guarda da filha. Uma especialista em psicologia, Maria do Carmo Santos, comentou que a legislação sobre alienação parental no Brasil precisa de revisão, pois, segundo ela, a forma como é aplicada acaba permitindo a pedofilia.

A mãe, então, procurou a Polícia Federal após ver uma reportagem sobre casos semelhantes. Após quatro meses de investigações, descobriram indícios de crimes cibernéticos, incluindo o compartilhamento de arquivos com outros usuários, incluindo material que referenciava a criança. O homem foi preso no dia 3 de março de 2026, mas após a prisão provisória, conseguiu responder às acusações em liberdade com medidas restritivas.

Atualmente, a mãe continua buscando formas de proteger a filha, agindo como sua representante em um caso em que a menina ainda não tem condições de se defender sozinha. Em casos tão complexos e delicados, a empatia e a proteção das crianças devem sempre ser prioridade.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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