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Mulher acusa empresário de perseguição após engano por perfil falso

Uma mulher, suspeita de seguir um empresário em Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, se declarou enganada por um perfil falso que acreditava ser do empresário. A história ganhou destaque nas redes sociais depois que Leandro Gallas compartilhou sua experiência.

Tudo começou em um bate-papo online entre essa mulher, que prefere ser chamada de Juliana, e um perfil que supostamente era de Leandro. O papo começou de forma até amigável, com a voz dela se engajando em causas como ajudar as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Em uma entrevista, Juliana contou que levou cerca de um ano para desenvolver sentimentos por Leandro e que, inicialmente, achou que ele também estava interessado. Isso se reforçou com algumas trocas de mensagens e menções brincalhonas feitas por ele nas redes sociais.

“Pessoal até perguntou pra ele: ‘E aí, você convidou a Juliana?’. Ele respondeu com deboche: ‘Convidei, mas ela não quis vir’”, relata Juliana, que é moradora de Navegantes.

O impacto do comportamento nas relações

O psiquiatra Fernando Fernandes ressalta que esse tipo de interação não é saudável. Muitas vezes, um simples contato pode ser visto como um estímulo para quem está cometendo stalking, podendo dificultar medidas de proteção nas situações de abuso.

Leandro já havia deixado claro que não tinha qualquer relação com Juliana e ficou surpreso com a insistência dela, que chegou a mandar mensagens amorosas às seis da manhã. “Quando percebi que as coisas estavam além do limite, comecei a bloquear os números dela. Ela passou a me ligar, muitas vezes durante a madrugada,” conta ele.

Após ser bloqueada, Juliana decidiu parar de tentar contato. Contudo, há cerca de dois meses, ela começou a conversar novamente com um perfil que dizia ser o empresário, desta vez de poesias. Ao questionar sobre a identidade do perfil, recebeu afirmações de que era realmente Leandro, o que reacendeu sua esperança de um reencontro.

A insistência do perfil falso

Juliana acreditou ser verdade até que, ao tentar confirmar diretamente com Leandro, ele negou ter qualquer perfil falso. Mesmo assim, o responsável pelo perfil continuou insistindo para que ela fosse até a casa do empresário. As mensagens mostravam essa pressão, com ultimatos para que ela se apresentasse.

No dia 12 de abril, essa situação foi além do virtual. Juliana, levando uma mochila com seus pertences, decidiu ir até o endereço do empresário, acompanhada do filho. Segundo ela, tudo foi incentivado pelas mensagens que recebia do perfil fake.

Imagens de câmeras de segurança mostraram a chegada dela em frente a uma loja de conveniência que pertence a Leandro. Ele notou pela filmagem que não a conhecia e foi avisado por um vizinho. Juliana estava visivelmente nervosa e insistia que queria conversar com ele. O filho ainda chegou a perguntar se Leandro era o homem que falava com a mãe.

Leandro não atendeu Juliana e decidiu acionar a polícia, mas ela saiu antes da chegada da equipe. Ele, já se sentindo desconfortável com a situação, não havia recebido ninguém até aquele momento, especialmente com a preocupação de que ela estava acompanhada de uma criança.

Mudanças na rotina e preocupações

Com essa situação, Leandro conta que teve que mudar sua rotina. Ele passou a evitar locais públicos, trocou de carro e deixou de compartilhar sua localização nas redes sociais para se resguardar. “Troquei de carro, estou tomando precauções, até para deixar minha mãe mais tranquila,” diz ele.

O caso é visto como uma possível situação de stalking, onde as motivações podem variar de interpretações equivocadas a distorções da realidade. Após o ocorrido, o autor do perfil fake entrou em contato com Leandro, assumindo a responsabilidade pelo que aconteceu e pedindo desculpas.

Diante dessa situação estranha, Leandro decidiu investigar a pessoa por trás dos perfis falsos e encontrou registros que a vincularam, incluindo números de telefone e e-mails. Para se proteger, o advogado do empresário pediu uma medida judicial para impedir que Juliana se aproxime dele, utilizando um mecanismo similar ao das medidas protetivas da Lei Maria da Penha.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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