Jogo do bicho ajuda facção em megaoperação em Blumenau
O jogo do bicho, um dos favoritos nas apostas informais do Brasil, estava financiando uma facção criminosa que foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil em Blumenau e nas cidades vizinhas. A operação aconteceu na manhã desta quinta-feira (19) e mobilizou policiais de várias regiões da cidade e outras áreas de Santa Catarina.
Além da prática do jogo do bicho, as investigações apontaram para envolvimento com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e até lavagem de dinheiro. Os policiais estavam de olho na cúpula da organização criminosa, buscando desmantelar suas operações.
Coordenada pelo DIC (Departamento de Investigação Criminal) de Blumenau, a ação é resultado de aproximadamente um ano de investigação. Foram emitidas 160 ordens judiciais, incluindo 50 mandados de prisão preventiva e 110 de busca e apreensão. Até o momento, 32 mandados de prisão foram cumpridos e oito pessoas foram presas em flagrante, com acusações que vão desde tráfico de drogas até posse ilegal de armas.
Jogo do bicho como fonte de renda para a facção
De acordo com o delegado Bruno Fernando, que liderou a investigação, o grupo tinha funções bem definidas. Enquanto alguns integrantes lidavam diretamente com o tráfico de drogas, outros se encarregavam de financiar as atividades criminosas, muitas vezes usando o jogo do bicho como uma espécie de fonte de renda.
O delegado explica que essa organização era bem estruturada, com vários membros desempenhando papéis diferentes. “Alguns financiavam o tráfico através do jogo do bicho, enquanto outros apenas contribuíam para a estrutura da facção”, detalhou ele.
Uma hierarquia bem definida
A investigação também revelou uma estrutura hierárquica dentro da facção. Pessoas identificadas como de “gerência” não estavam nas ruas, mas coordenavam as atividades em vários bairros e cidades. O foco principal estava em regiões como o Médio Vale do Itajaí, incluindo cidades como Blumenau, Gaspar e Apiúna. Ao todo, 72 indivíduos foram identificados.
Mobilização de forças policiais
Para a megaoperação, cerca de 200 policiais civis foram convocados de diferentes áreas de Santa Catarina. A busca se estendeu a cidades como Indaial, Timbó, Itajaí, Palhoça e até São Francisco do Sul. Durante as ações, as autoridades conseguiram apreender drogas, armas, munições e até dinheiro.
Um celular que fez a diferença
O caminho para essa operação começou com a análise de um celular que havia sido apreendido em um momento anterior. O conteúdo do aparelho foi fundamental para mapear a atuação da organização, ajudando a identificar os indivíduos da cúpula envolvida. Essa análise levou cerca de seis meses e permitiu entender como a facção funcionava internamente.
Investigações continuam
A Polícia Civil alertou que a operação não terminou e que novos desdobramentos ainda podem ocorrer. Os detidos devem ser apresentados em uma audiência de custódia na Vara Estadual de Combate ao Crime Organizado. As investigações estão se aprofundando ainda mais, com o objetivo de rastrear as movimentações financeiras da facção e localizar outros envolvidos nesse esquema.



