Insensibilidade de colega na câmara é questionada
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no último sábado (22), agitou o Brasil e também fez barulho na Câmara de Balneário Camboriú. O vereador Eduardo Zanatta, do PT, acabou chamando a atenção por sua reação ao episódio, que foi de comemoração nas redes sociais.
Logo que a notícia da detenção apareceu, Zanatta postou mensagens como “grande dia” e “dia lindo aqui em Balneário Camboriú”. O tom das postagens, que carregavam uma boa dose de ironia, não parecia um simples comentário político, mas sim uma celebração do que estava acontecendo. O detalhe que torna a situação ainda mais delicada é que Jair Renan Bolsonaro (PL), que é filho do ex-presidente preso, também é vereador e colega de Zanatta na Câmara.
Críticas políticas são parte do jogo, sem dúvida. No entanto, comemorar a prisão de um pai, especialmente quando se divide o espaço de trabalho com seu filho, ultrapassa a linha do debate ideológico e atinge um aspecto pessoal. No ambiente político, que já é tenso por natureza, esse tipo de atitude não costuma ajudar — e, muitas vezes, gera desgastes desnecessários.
Essa postura de Zanatta não é uma surpresa para quem está familiarizado com seu estilo, que é bem combativo nas redes sociais. Ele parece se dirigir mais à sua militância do que realmente buscar um diálogo saudável com os demais vereadores. Entretanto, o que ele fez expõe uma falta de sensibilidade clara. A diferença de opiniões é natural, mas um pouco de empatia seria interessante, especialmente em situações que impactam a vida de alguém coeso no convívio.
Independentemente das opiniões sobre Bolsonaro e seus mandatos, o fato de Zanatta dividir o plenário com seu filho exige um cuidado maior. O ambiente requer que adversários dialoguem e negociem, e publicações com um tom de deboche não ajudam em nada — só pioram o clima tenso que já existe na política local.
Zanatta tem todo o direito de criticar Bolsonaro e seus feitos. No entanto, celebrar a prisão do pai de um colega é algo que fere a ideia de respeito e civilidade, fundamental para a convivência parlamentar. É só mais um episódio em que a política parece se transformar em palanque, esquecendo-se do mínimo de sensibilidade necessária nas relações interpessoais.



