Itajaí e Região

Fábrica de farinha de peixe em Itajaí causa odor em residências há 20 anos

Moradores do bairro Cordeiros, em Itajaí, têm enfrentado um desafio incômodo: o mau cheiro de uma fábrica de farinha de peixe que está presente na região há quase 20 anos. Com relatos de que o odor invade as casas durante a noite, a situação tem afetado o sono e, em alguns casos, até a saúde dos residentes.

As famílias se vêem obrigadas a fechar portas e janelas em tentativas de amenizar o desconforto. O Wilson Gazzaneo, por exemplo, comenta que o cheiro é tão forte que seu filho autista chega a quase entrar em crise. Essa é uma realidade que muitos moradores compartilham, mencionando náuseas e dificuldades respiratórias. Juliana Santiago, outra residente, destaca que as crises de enxaqueca se intensificam com a presença do odor.

Curiosamente, o problema do mau cheiro não diminui no inverno; ao contrário, parece se intensificar, dificultando ainda mais a convivência dos moradores. “Acordo no meio da noite, e é como se o fedor viesse me buscar”, relata Wilson, que vive em um apartamento.

### Medidas tomadas pelos moradores

Diante dessa situação, muitos moradores decidiram agir. Um deles até recorreu à Justiça e conseguiu uma indenização de R$ 7 mil por conta dos transtornos à saúde causados pelo forte odor. Durante uma inspeção, foram identificados resíduos expostos e a presença de moscas na área.

Para somar forças, os moradores criaram um grupo no WhatsApp, buscando a união da comunidade em busca de soluções. Além disso, representantes do grupo se reuniram com autoridades na Câmara Municipal, pedindo providências. Cartazes com mensagens como “Menos odor, mais respeito” foram exibidos em protestos, mostrando a determinação da comunidade em buscar melhores condições de vida.

Apesar das queixas, a maioria dos moradores não quer o fechamento da fábrica. Eles entendem a importância econômica do local e, portanto, pedem apenas que medidas sejam tomadas para resolver o problema do mau cheiro.

Juliano Lopes, presidente da Associação de Moradores, é firme em sua posição: “Não aceitamos prazos indefinidos. Vamos continuar nos manifestando até que a situação seja resolvida.”

### Respostas das autoridades e da empresa

A Prefeitura de Itajaí informou que a licença ambiental da fábrica está em análise. A ideia é que novas exigências sejam feitas para limitar a emissão de odores, como restrições no processamento de resíduos.

A Nauterra, empresa responsável pela fábrica, afirmou que tem trabalhado para melhorias na unidade. Entre as ações estão reparos nas instalações e ações para otimizar a lavagem de gases. A empresa também planeja instalar um novo sistema de captação e remoção de odores.

A situação continua a ser monitorada, e a colaboração com a comunidade e autoridades parece ser uma prioridade para a fábrica, que espera atender à legislação ambiental e melhorar a convivência com os moradores.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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