Itajaí e Região

Ex-chefe da Receita Federal é investigado por despesas bancadas por empresários

O ex-chefe da alfândega da Receita Federal em Itajaí, Marcus Vinicius Nali Simioni Filho, está sendo investigado por um suposto esquema de corrupção. Ele teria recebido pagamentos de empresários do setor de importação e exportação que tinham processos relacionados à sua atuação na Receita.

De acordo com a Polícia Federal, as despesas cobertas pelos empresários incluem aluguel de um imóvel luxuoso, gastos de cartão de crédito e até uma viagem internacional. Essas informações foram divulgadas durante a Operação Benaia, que busca esclarecer a relação entre o ex-servidor e os empresários do comércio exterior.

As vantagens que ele recebeu, pelo que foi apurado até agora, podem ultrapassar R$ 5 milhões. O delegado Christian Luz Barth explicou que a investigação começou depois que uma denúncia anônima apontou que o padrão de vida do servidor não condizia com seu salário.

Despesas de luxo e viagens internacionais

Analisando dados bancários e fiscais, os investigadores descobriram que empresários que se beneficiavam de processos nos quais Simioni atuava pagavam suas despesas pessoais. Este servidor morava em um imóvel com aluguel de cerca de R$ 14 mil por mês, pago por empresários investigados. Além disso, foi identificado que uma viagem ao exterior foi totalmente custeada por um desses empresários, que inclusive acompanhou o servidor.

Os pagamentos ocorreram de diversas formas, como depósitos e pagamentos diretos por despesas pessoais. A investigação aponta também que consultorias e empresas ligadas ao comércio exterior poderiam estar envolvidas no esquema de favorecimento a empresários.

Pontos que levantam suspeitas

Um dos aspectos mais intrigantes é que os pagamentos vieram de empresários com interesses diretos na área fiscal em que Simioni trabalhava. A apuração prevê verificar se houve promoção de benefícios indevidos relacionados ao comércio exterior. Também se investigam a possível conexão com despachantes aduaneiros e outras consultorias que operam nesse setor.

Durante as buscas, a Polícia Federal encontrou registros de uma conta bancária no exterior, além de documentos que podem indicar uma tentativa de esconder a origem dos recursos através de empresas registradas em nome de familiares de Simioni. Mandados de busca foram cumpridos em endereços relacionados ao servidor, a seus familiares e aos empresários envolvidos, tanto em Santa Catarina quanto em São Paulo.

Apreensões e consequências

Na ação realizada, a PF apreendeu 15 relógios de luxo, celulares, notebooks e até R$ 515 mil em dinheiro. A Justiça também bloqueou 65 contas bancárias e sequestrou 25 imóveis e cerca de 19 veículos relacionados aos investigados. As autoridades estimam que o esquema pode ter causado um prejuízo superior a R$ 10 milhões aos cofres públicos.

Simioni foi afastado de suas funções públicas por decisão judicial. O delegado Barth informou que a prisão preventiva não foi solicitada neste momento, pois a afetação ao cargo é considerada suficiente para evitar novas irregularidades e interferências na investigação.

A reportagem tenta contato com a defesa de Marcus Vinicius Nali Simioni Filho, e o espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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