Balneário Camboriú

Estado divulga dados do Hospital Ruth Cardoso após reclamações

Em meio a várias reclamações e denúncias desde que passou a ser gerido pelo Estado, o Governo de Santa Catarina compartilhou na última quarta-feira (14) os dados do primeiro mês de operação do Hospital Regional Ruth Cardoso (HRRC). A unidade foi estadualizada oficialmente em 8 de dezembro de 2025.

A apresentação dos dados aconteceu em Balneário Camboriú, durante uma reunião organizada pela prefeita Juliana Pavan, que contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, além de representantes da Prefeitura e vereadores. O encontro ocorreu na sede da Secretaria de Segurança e Ordem Pública e serviu para esclarecer dúvidas sobre a gestão do hospital, que agora está sob a responsabilidade da organização Viva Rio.

Depois da reunião, o secretário falou à imprensa sobre a transição. Ele destacou que essa mudança foi feita antes do verão para evitar problemas com o aumento da demanda de atendimentos. Segundo ele, não houve interrupção nos serviços ou demissões de funcionários durante a transformação da gestão.

“Isso foi feito em comum acordo com a prefeita Juliana, a equipe da Secretaria de Saúde e a própria organização que está começando os trabalhos. Sabemos que transições têm seus desafios, mas estamos superando isso em parceria. Temos um foco grande na continuidade dos atendimentos, que é a nossa missão principal”, afirmou o secretário.

De acordo com os dados apresentados, o Pronto Atendimento do hospital teve 7,2 mil atendimentos em dezembro de 2025, um crescimento significativo em relação aos 6,2 mil atendimentos no mesmo período do ano anterior.

Outro ponto discutido foi a implementação de um sistema de informação hospitalar, que promete aumentar a transparência e facilitar o gerenciamento das equipes e atendimentos. “Esse processo de informatização está em andamento e será muito mais fácil para a gestão. Estamos cumprindo o que foi acordado no protocolo de intenções assinado pela prefeita Juliana Pavan e pelo governador Jorginho Mello”, destacou o secretário.

A prefeita também anunciou que, em fevereiro, haverá uma audiência pública na Câmara de Vereadores para falar mais sobre a transição e os primeiros meses da gestão estadual. “Essa audiência será aberta a todos. Além disso, pedimos repasses mensais de informações durante este primeiro ano para que possamos manter a população bem informada”, acrescentou.

Após a coletiva, o secretário e os representantes da prefeitura e vereadores fizeram uma visita ao hospital.

Durante a reunião, a prefeita Juliana Pavan protocolou um ofício solicitando ao Governo do Estado um envio mensal de relatórios sobre a operação da Viva Rio à frente do Hospital Regional Ruth Cardoso. Esses relatórios devem incluir informações sobre atendimentos, qualidade do serviço e indicadores da área de Recursos Humanos, de modo a garantir uma supervisão eficaz da gestão e evitar desinformação.

A prefeita também pediu que o governo cobrasse da OSC Viva Rio a resolução de problemas relatados por menos de 10% dos colaboradores, que estão relacionados a inconsistências nas primeiras folhas de pagamento. A Prefeitura de Balneário Camboriú garantiu que vai continuar a acompanhar de perto esta nova fase da gestão estadual, mantendo a transparência com a população.

O processo de estadualização do Hospital Regional Ruth Cardoso começou em junho de 2025, após a assinatura do Protocolo de Intenções entre o Governo do Estado e o município. Em seguida, houve a sanção da Lei nº 5.050/2025, que autorizou a transferência de serviços e gestão para o Estado.

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina também aprovou o projeto que permitiu a doação do hospital. Um Comitê Extraordinário foi criado por decreto municipal para acompanhar e fiscalizar as ações desse processo. A Viva Rio assumiu a administração do hospital em 8 de dezembro, com um investimento previsto de mais de R$ 533 milhões ao longo de 60 meses, incluindo R$ 62 milhões para adequações e melhorias nos primeiros 20 meses, além de um repasse mensal de R$ 8 milhões para as despesas operacionais.

Rodrigo Peronti

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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