Cultura de SC é apresentada na Bienal de Arquitetura
Santa Catarina está se destacando na Bienal de Arquitetura Brasileira, que acontece em São Paulo, com uma exposição que desafia os estereótipos da cultura germânica. O evento, que acontece até 30 de abril no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, mostra a força da criação contemporânea do estado.
Durante muitos anos, a cultura catarinense foi vista sob uma lente bem limitada, focando quase sempre em suas raízes europeias. Essa visão acabou deixando de lado a produção arquitetônica local, que, historicamente, não tinha muita visibilidade nos grandes debates do país.
No entanto, uma nova geração de profissionais está mudando esse panorama e reposicionando Santa Catarina como um importante polo de arquitetura no Brasil. A proposta apresentada na Bienal integra o Pavilhão Brasil, ao lado de representantes de todos os 27 estados, e convida cada um a explorar as suas identidades, culturas e as relações com os biomas.
Explorando a Identidade Catarinense
O espaço catarinense na Bienal traz elementos que fogem do comum, como uma escultura de um quero-quero e azulejos decorados com bromélias típicas da Mata Atlântica. O objetivo é apresentar uma identidade mais rica e diversificada.
O arquiteto Jeferson Zanatta, que assinou a curadoria da exposição, explica que o espaço busca mostrar uma Santa Catarina muito além do que as pessoas geralmente imaginam. Ele quer romper com essa ideia de que a arquitetura no estado é apenas uma cópia de modelos europeus.
Além da estética, a mostra também levanta importantes questões sobre o uso de espécies nativas no paisagismo brasileiro, ligando arquitetura, meio ambiente e produção. Zanatta menciona a necessidade de investigar por que as espécies nativas ainda são pouco utilizadas. Ele destaca o trabalho com comunidades, como coletadores de sementes e a exploração de plantas ainda desconhecidas que têm muito a contribuir.
A curadoria reúne 45 designers e 25 artistas, incluindo nomes renomados como Jader Almeida e Lilia Trisotto, além de novos talentos como Lucas Recchia e a dupla Hostins & Borges.
Uma Visita Inovadora
O pavilhão foi projetado como uma casa contemporânea, sem divisões rígidas e com uma planta fluida. Isso permite a visitação em 360 graus, como se fosse uma verdadeira imersão nos ambientes de uma casa, incluindo sala, cozinha, suíte e escritório.
No centro da exposição, um cubo expositivo, revestido com obras do artista Walmor Corrêa, exibe a flora da Mata Atlântica, simbolizando a conexão entre a natureza e a arquitetura.
Zanatta ressalta que essa proposta curatorial reflete a diversidade de influências que compõem Santa Catarina, mostrando desde sua relação com a natureza até a dinâmica industrial que permeia o estado. Para ele, essa representatividade na Bienal coloca Santa Catarina em evidência no cenário nacional, reafirmando seu papel nas discussões sobre o futuro das cidades.
A participação do estado conta com o apoio de empresas locais, como a incorporadora FHaus e o bairro planejado Colinas de Camboriú. Para Thomas Fischer, CEO da FHaus, há um significado especial em patrocinar um projeto que reúne arquitetos e artistas reconhecidos para representar Santa Catarina em São Paulo. Para ele, é uma oportunidade única e muito significativa para o estado.



