Balneário Camboriú é comparada à capital do luxo, diz jornal britânico
Balneário Camboriú tem chamado a atenção lá fora e ganhou uma comparação que faz qualquer lugar sonhar: o Financial Times, um dos jornais mais respeitados do mundo, a comparou a Dubai e Miami. O destaque foi para o mercado imobiliário de luxo da cidade catarinense, que, em poucas décadas, passou de uma tranquila cidade de praia a um dos principais destinos para quem busca imóveis de alto padrão no Brasil.
Essa verticalização intensa transformou o horizonte, colocando Balneário em destaque no setor de empreendimentos de luxo. Agora, o município abriga cinco dos dez edifícios mais altos do Brasil, incluindo a impressionante Senna Tower, que quer ser o foco das atenções com seus 157 andares e uma altura que promete passar de meio quilômetro. O projeto, que deve ser concluído até 2033, traz unidades a partir de R$ 30 milhões, com coberturas que podem ultrapassar os R$ 400 milhões.
Jean Graciola, da FG Empreendimentos, compartilhou com o jornal uma visão ousada: “Estamos nivelados a lugares como Dubai, oferecendo um estilo de vida que lembra o de Miami.” Ele destaca a qualidade de vida que a cidade proporciona, com segurança e um clima ensolarado o ano todo. Para muitos, Balneário Camboriú representa uma nova cara do Brasil, longe do que se imagina ao pensar em Rio ou São Paulo.
Mercado internacional e investidores
A reportagem do Financial Times também traz à tona o esforço das imobiliárias locais para atrair compradores estrangeiros, colocando a cidade de vez no mapa do luxo global. Hoje, cerca de 8% das vendas vêm de clientes internacionais, muitos deles portugueses ou brasileiros que residem fora. O interesse também vem de investidores dos Estados Unidos.
Um dos aspectos que torna Balneário Camboriú tão atraente é a sensação de segurança, um diferencial quando comparado a outras partes do Brasil. O fluxo constante de turistas e a presença de moradores com alto poder aquisitivo valorizam os imóveis, que possuem o metro quadrado entre os mais caros do país, em torno de R$ 8 mil.
Carlos Mario Zani, um empresário do agronegócio, contou que comprou um duplex de 192 metros quadrados por R$ 4,7 milhões em 2024, inicialmente como investimento, mas acabou se mudando com a família. “Você se sente aceito aqui”, disse ele, revelando que, em menos de um ano, recebeu uma proposta de R$ 7 milhões pelo imóvel. “É por isso que estou investindo aqui”, completou Zani.
Crescimento, críticas e limites
No entanto, nem tudo são flores. O Financial Times também levanta questões sobre a infraestrutura e o planejamento da cidade. Durante a alta temporada, a população pode alcançar até 1,5 milhão de pessoas, o que pressiona as vias e serviços públicos.
O crescimento veloz se reflete na construção de aproximadamente 30 edifícios com mais de 150 metros de altura. Muitos desses projetos foram possíveis devido a brechas na legislação. A pandemia de Covid-19 catalisou ainda mais a busca por imóveis, com um aumento no desejo por espaço e qualidade de vida.
Entre as iniciativas para melhorar a cidade, a ampliação da faixa de areia da praia central, que passou de 25 para 70 metros, foi mencionada como uma forma de minimizar os impactos da erosão costeira e das sombras lançadas pelos prédios. Apesar de todas essas medidas, lá fora, especialistas ressaltam que Dubai ainda conta com vantagens como regras claras e incentivos fiscais, aspectos que tornam a comparação entre as duas cidades mais complexa.


