Área preservada cresce 200% e se torna chance imobiliária em SC
A região de Balneário Camboriú, famosa em todo o Brasil por seus edifícios altos e a verticalização, abriga uma parte que vai na direção oposta: a Interpraias. Compreendendo localidades como Laranjeiras, Taquarinhas, Taquaras, Pinho, Estaleiro e Estaleirinho, essa área faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa Brava e ocupa cerca de 21% do município. Chamada de “Riviera Catarinense”, o que mais atrai os compradores é a combinação de baixa densidade, natureza preservada e as regras claras sobre ocupação.
Nos últimos cinco anos, Balneário Camboriú teve uma valorização média superior a 90%, segundo dados do FipeZAP. Na Interpraias, a situação é ainda mais impressionante: os preços subiram quase 200%. Terrenos que custavam em média R$ 1.000 por metro quadrado agora estão na faixa de R$ 3.000. E as casas? Elas passaram de cerca de R$ 2,5 milhões para R$ 7,5 milhões.
Maurício Girolamo, vice-presidente do conselho que supervisiona a APA Costa Brava, explica que o sucesso da Interpraias não é mera coincidência. A região é vista como um investimento seguro porque seus limites de ocupação são bem definidos. A proposta é que a área mantenha suas características naturais, o que traz uma segurança extra para quem decide comprar ou morar lá.
As regras são rigorosas e buscam impedir um adensamento excessivo. Isso é algo que preocupa muita gente que mora em áreas turísticas, onde a desconfiança pode crescer de que tudo se tornará “mais um bloco de apartamentos” como em outras partes da cidade. “Na Interpraias, essa mudança não acontece facilmente. As diretrizes de ocupação são rígidas e seguem um plano de manejo, com a participação de diferentes entidades, o que vai além de decisões políticas momentâneas”, afirma Girolamo.
Área preservada dispara até 200% com restrições ambientais
O plano de manejo da APA Costa Brava estabelece diretrizes urbanísticas baseadas em zoneamento. Nas áreas planas, o limite de construções é de até três andares, com 40% do terreno podendo ser ocupado. Já nas regiões mais íngremes, as regras são ainda mais restritivas, permitindo apenas dois andares e ocupação de 10% do espaço. Com terrenos mais caros e menos área utilizável, as incorporadoras precisam se destacar de outras maneiras.
O foco agora é em empreendimentos que prezam pela arquitetura de qualidade, com projetos assinados por escritórios respeitados, como MK27 e Isay Weinfeld. Além disso, têm apostado em paisagismo renomado, como o de Benedito Abbud e do escritório Burle Marx.
Lucas Pasquali, especialista no mercado da Interpraias e sócio da imobiliária J. Maurício, acredita que a região está em um momento decisivo tanto para quem quer morar quanto para quem deseja investir. “A valorização imobiliária responde à lei da oferta e da demanda. Na Interpraias, a oferta é limitada por regras ambientais. Mesmo quando a área estiver totalmente desenvolvida, ainda haverá poucas unidades e uma abundância de natureza, enquanto a busca por qualidade de vida e por mercados wellness continua a crescer. Essa combinação pode tornar o metro quadrado da Interpraias o mais valorizado de toda a região ao longo do tempo”, comenta.



