Itajaí e Região

Barco do futuro começa testes de segurança com hidrogênio em SC

O JAQ H1, um dos primeiros barcos a funcionar com hidrogênio no Brasil, está prestes a iniciar uma nova fase de testes em Itajaí, Santa Catarina. Com 36 metros de comprimento e ancorado na Marina Itajaí, a embarcação começará o abastecimento dos seus tanques com hidrogênio (H₂) na próxima semana, dando um passo importante para o Projeto JAQ Hidrogênio Verde.

Essa fase, chamada comissionamento, deve durar cerca de 15 dias e contará com a presença de 20 profissionais, incluindo engenheiros brasileiros e chineses. O objetivo é verificar se os tanques, bombas, válvulas e outros equipamentos funcionam corretamente juntos, garantindo a segurança do processo.

Esse projeto exige um investimento privado de R$ 150 milhões, que não se limita só ao JAQ H1; ele também contempla a construção de outra embarcação. A iniciativa é uma parceria entre o Grupo Náutica e a GWM Hydrogen-FTXT, em um trabalho liderado pelo presidente do Grupo, Ernani Paciornik.

Depois de ser apresentado na COP30 e participar do Marina Itajaí Boat Show, que terminou recentemente, o barco agora se prepara para essa fase decisiva.

Barco do futuro passa por duas etapas de validação

A validação do sistema está dividida em duas etapas. A primeira focou nas baterias e sistemas elétricos durante a passagem do JAQ H1 pela COP30. Agora, em Itajaí, começamos a segunda etapa, que envolve o armazenamento do hidrogênio e o funcionamento das células a combustível, fornecidas pela GWM.

Conforme Davi Lopes, da GWM Hydrogen-FTXT Brasil, essa divisão é crucial, pois o primeiro abastecimento precisa seguir protocolos específicos e ser monitorado de perto para evitar riscos.

“É um processo que demanda tempo, já que trabalhamos com segurança, procedimentos operacionais e diversos testes. A prioridade é garantir que tudo funcione de forma segura”, explica Davi.

A operação será acompanhada de perto por engenheiros tanto do Brasil quanto da China. Uma equipe da China vem exclusivamente para colaborar com os especialistas brasileiros durante o abastecimento, ativação dos equipamentos e testes de segurança.

Ernani Paciornik destaca a importância desse momento não apenas para o projeto, mas para a transição energética do setor marítimo no Brasil. Após as demonstrações de como o hidrogênio pode ser utilizado em embarcações, o projeto avança agora para teste de segurança e validação tecnológica. Ele acredita que o conhecimento adquirido pode impulsionar soluções mais sustentáveis e acelerar a adoção de novas fontes de energia na navegação.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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