Mergulhadores retiram lixo do fundo do mar em SC
Uma operação de limpeza subaquática tem feito a diferença nas águas de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Entre 2022 e 2026, mergulhadores retiraram cerca de seis toneladas de lixo dos costões rochosos da região. Desses, aproximadamente 2,4 toneladas foram direto do fundo do mar, onde o lixo estava acumulado entre as rochas.
Essa ação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Balneário Camboriú, a Ambiental e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Além dos mergulhadores profissionais, pesquisadores capacitados estão envolvidos, fazendo a catalogação e análise dos materiais encontrados. Uma verdadeira força-tarefa que visa melhorar a saúde ambiental do local, não é mesmo?
Conheça os locais de limpeza
Os serviços abrangem 25 pontos ao longo da orla e nas áreas rochosas da cidade. Entre os locais que recebem atenção estão a Praia de Laranjeiras, Estaleirinho, Praia do Pinho, Taquaras, Praia do Buraco, Praia dos Amores e Ilha das Cabras. Esse lixo, em grande parte, vem da atividade humana ligada ao turismo, à pesca e à maricultura.
Recentemente, a equipe focou na Praia de Laranjeiras. Em apenas algumas semanas, foram retirados 294,31 quilos de resíduos, somando 1.255 itens que estavam tanto na terra quanto submersos. O que se encontra debaixo d’água? Muitas vezes, restos de redes de pesca, cabos, chumbadas e até dispositivos de luz química. Já em terra firme, a lista inclui garrafas PET, sacolas plásticas e latas.

A metodologia por trás da limpeza
Segundo o professor Ewerton Wegner, coordenador do Laboratório de Mergulho Submarino da Univali, essa ação não se resume a uma simples coleta de lixo. O foco aqui está na quantificação e análise técnica do que é encontrado. “Esses dados são essenciais para o monitoramento ambiental e para o desenvolvimento de políticas de proteção a longo prazo”, comenta.
Balneário Camboriú conta com aproximadamente 10 quilômetros de costões rochosos, muitos deles de difícil acesso. Isso torna a limpeza um desafio. Mas a tecnologia e a formação da equipe têm ajudado a ampliar as intervenções em áreas que não eram monitoradas antes.
Protocolos que fazem a diferença
A operação é regida por protocolos técnicos, em conformidade com normas internacionais e com o Regulamento de Mergulho Científico da Univali. Os mergulhadores utilizam sistemas autônomos de mergulho e embarcações equipadas com GPS. Quando encontram grandes objetos, que não conseguem remover na hora, eles são sinalizados com boias, facilitando a remoção futura.
“Usando tecnologia avançada e a parceria com a Univali, conseguimos ir além e abordar áreas que, historicamente, não recebiam esse tipo de atenção”, destaca Nelson Oliveira, secretário de Meio Ambiente de Balneário Camboriú.
Pioneirismo em práticas ambientais
O gerente da Ambiental, André Renato Kannenberg, vê a ação como pioneira no Brasil. Segundo ele, não há outras cidades que mantenham um convênio similar com mergulhadores profissionais para uma limpeza sistemática das áreas costeiras. Essas práticas são fundamentais para proteger o ambiente marinho e garantir que as futuras gerações possam desfrutar da beleza natural da região.
Além de retirar toneladas de lixo, as informações coletadas ajudam a moldar políticas públicas de preservação costeira. Entre os resíduos mais comuns nos últimos quatro anos estão plásticos, materiais da atividade pesqueira, e também vidro e metais.
A continuidade desse trabalho depende, é claro, das condições climáticas. A expectativa é que essa iniciativa se fortaleça e ajude a reduzir o impacto ambiental na região e melhore a qualidade das águas que banham Balneário Camboriú.



