Itajaí e Região

Médico é investigado por venda de atestados a detentos em SC

Um médico ligado ao Complexo Penitenciário de Itajaí está no olho do furacão depois de ser acusado de emitir atestados médicos falsos para ajudar a soltar detentos. Ele teria cobrado preços que variavam de R$ 300 a R$ 4 mil por consulta. Curiosamente, o gastroenterologista Marcelo Marques Costa aceitou até terrenos como pagamento em negociações para emitir esses documentos que resultavam na liberação de presos, incluindo líderes de facções como o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, revelou que uma advogada atuava como intermediária entre o médico e os detentos para facilitar a emissão dos laudos falsificados. Mesmo que os presos tenham o direito de ser atendidos pelo SUS, essa situação criou uma brecha que os criminalizou. O esquema funcionava através da contratação de médicos particulares, o que abriu espaço para irregularidades.

Atestados médicos falsos simulavam comorbidades graves

Os atestados fraudulentos indicavam doenças graves que, na verdade, não existiam, servindo como justificativa para pedidos de liberdade ou prisão domiciliar. Além disso, muitos dos beneficiados por essas solturas estão foragidos, tendo desrespeitado as regras impostas pelo Judiciário. A pesquisa feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) identificou arquivos que continham não apenas atestados e exames falsos, mas também trocas de mensagens que indicavam ajustes para criar diagnósticos médicos utilizados em processos.

Infelizmente, a maioria dos apenados envolvidos no esquema são líderes de facções que, quando passaram a ter prisão domiciliar, frequentemente rompem a tornozeleira eletrônica e desaparecem. Isso evidencia o risco e a gravidade das ações que estão sendo investigadas.

Desdobramentos de uma investigação intensa

Na Operação Efeito Colateral, que começou com essa investigação, foram cumpridos quatro mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão. O Judiciário, por meio da Vara de Organizações Criminosas, autorizou buscas em locais residenciais e comerciais dos envolvidos, com o intuito de coletar provas valiosas para esclarecer os fatos.

Mais de 200 policiais participaram da operação, que se estendeu por cidades como Balneário Camboriú e Porto Belo, além de abranger o estado do Paraná. No total, quatro pessoas foram presas, incluindo o médico, sua secretária, a advogada e um dos detentos favorecidos. Durante a ação, os agentes do Gaeco apreenderam mais de R$ 100 mil, além de armas, munições e diversos aparelhos eletrônicos que serão fundamentais para a investigação em andamento.

Confronto durante a abordagem

O médico, no entanto, não se entregou facilmente. Ele reagiu à abordagem policial e disparou contra a equipe, atingindo um policial na perna. Embora o ataque tenha trazido um momento de tensão, o policial recebeu atendimento rápido e não corre risco de vida. Após a cirurgia, ele está estável e deverá ser transferido para um quarto nos próximos dias.

A defesa do médico, até o momento, se manteve em silêncio, afirmando que a investigação é sigilosa e que aguarda acesso aos autos para uma análise mais profunda. É um caso que continua a se desenrolar e promete trazer mais desdobramentos.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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