Balneário Camboriú

Sobrevivente de tragédia com BMW relembra perda e superação

Geovana Staellen é uma jovem que carrega uma história cheia de desafios e resiliência. Ela é a única sobrevivente de uma tragédia que ceifou a vida de quatro amigos em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Dois anos atrás, a vida dela mudou drasticamente ao encontrar os amigos mortos dentro de uma BMW, em uma noite que deveria ser de celebração.

Numa entrevista ao Domingo Espetacular, Geovana compartilhou o peso desse momento. Na época, com apenas 19 anos, ela havia viajado de ônibus de Brasília para se reunir ao grupo que tinha feito planos de recomeçar a vida no estado. Eles estavam juntos na esperança de algo novo após as festividades de Réveillon.

Após a tragédia, a vida dela ficou presa entre o luto e a culpa. Morando em Bonfinópolis, interior de Minas Gerais, Geovana se viu isolada, sem conseguir sair de casa. O olhar dos outros a fustigava, carregando o peso de questionamentos como: “Como você não percebeu o que estava acontecendo?” Para ela, isso era só mais uma camada da dor que já sentia.

“Por muito tempo, as pessoas me culparam. Mas eu também era uma vítima da situação”, desabafa Geovana. Mesmo diante de tudo, ela decidiu se apoiar nos amigos e na família, buscando força para recomeçar. E assim, a vida deu novas cores a ela: fez um curso de redatora, se lançou como empreendedora e começou a trabalhar como designer de unhas. Agora, com 21 anos, ela segue em frente, sempre mantendo vivas as memórias, boas e ruins, dos amigos que perdeu.

### Relembre a Tragédia com a BMW

A tragédia ocorreu em janeiro de 2024, quando Gustavo, Carla, Thiago e Nicholas faleceram após inalarem monóxido de carbono dentro do carro estacionado na rodoviária de Balneário Camboriú. Eles tinham viajado de Paracatu, Minas Gerais, com a intenção de se mudar para Santa Catarina e começar uma nova vida.

Na noite de Réveillon, o grupo foi buscar Geovana no terminal. Durante o trajeto, ficou claro que algo estava errado: todos começaram a sentir tontura e mal-estar, sem perceber que estavam sendo envenenados por um gás tóxico. Ao chegarem na rodoviária, alguns decidiram ficar dentro do carro com o ar-condicionado ligado enquanto esperavam.

A investigação revelou que o problema estava em um vazamento no sistema de escapamento, que havia sido modificado meses antes. O catalisador original foi substituído por uma peça artesanal que acabou se rompendo, permitindo a entrada do monóxido de carbono. A tragédia resultou no indiciamento de duas pessoas pelo homicídio culposo, e o caso ainda aguarda o julgamento.

Geovana lembra que, durante o deslocamento, ela tentou ajudar uma amiga que também passou mal. Infelizmente, quando ela acordou no carro, já era tarde para os outros. Eles estavam desacordados, e mesmo com toda a esperança, não havia mais nada que pudesse ser feito. Sua história é um lembrete sobre a fragilidade da vida e sobre como é importante valorizar cada momento.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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