Itajaí e Região

Cidades de SC se mobilizam contra multas estaduais

As prefeituras de nove cidades de Santa Catarina estão se mobilizando para proteger os pescadores artesanais que trabalham na captura de lula. A preocupação surgiu após pescadores receberem multas que podem ultrapassar R$ 11 mil devido à fiscalização do Ibama, especialmente durante o período de defeso do camarão.

O secretário Executivo de Aquicultura e Pesca, Tiago Frigo, destacou que os pescadores estão se sentindo perseguidos. Segundo ele, muitos deles estão pescando apenas lula e não camarão, mas ainda assim enfrentam penalizações severas.

Para garantir que os pescadores possam continuar suas atividades de forma legal durante o defeso, uma nova portaria foi publicada. Essa norma permite a captura de lula com arrasto simples em embarcações de até 20 toneladas. No entanto, a aplicação de multas no dia em que a portaria foi lançada gerou descontentamento. Frigo reforçou que a sensação de pressão sobre os pescadores é palpável.

Documentos e reivindicações

Um ofício, assinado pelas prefeituras de Penha, Balneário Barra do Sul, Barra Velha, Balneário Piçarras, Navegantes, Itajaí, Bombinhas, Porto Belo e Governador Celso Ramos, foi encaminhado à Secretaria da Aquicultura e Pesca no final de fevereiro. O documento pede um mandado de segurança para restringir a atuação do Ibama na fiscalização da captura de lula. Os municípios argumentam que as ações do órgão estão com base em interpretações arbitrárias, o que prejudica as comunidades pesqueiras tradicionais.

Recentemente, a Secretaria de Pesca buscou informações sobre as multas aplicadas, mas até o momento não obteve resposta do Ibama. Frigo expressou sua revolta, lembrando que, até o momento, nenhuma apreensão de camarão ocorreu, o que agrava a insatisfação dos pescadores.

O defeso do camarão e suas consequências

A pesca do camarão está oficialmente proibida em Santa Catarina de 28 de janeiro a 30 de abril de 2026, período em que as espécies precisam de proteção para garantir sua reprodução. As espécies como o camarão rosa, branco e sete-barbas estão entre as que devem ser preservadas pela legislação.

As normas são definidas tanto pelo Governo Federal quanto por instruções do Ministério da Agricultura e Pesca e regulamentações do Ibama. A nova portaria estadual visa oferecer alternativas de renda para os pescadores durante o defeso, ao mesmo tempo que busca resolver interpretações confusas das leis federais relacionadas à atividade pesqueira.

Além disso, a portaria especifica que a captura com arrasto simples de fundo não é permitida em certas áreas, como baías e estuários, tentando equilibrar as necessidades econômicas da região com a proteção ambiental.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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