Itajaí e Região

Heróis que inspiram os nomes dos navios em destaque

Por trás dos nomes das quatro fragatas do Programa Classe “Tamandaré”, que estão sendo construídas em Itajaí, Santa Catarina, encontramos verdadeiros heróis que desempenharam papéis fundamentais na formação da Marinha do Brasil e na defesa do nosso território. Essas figuras históricas, como Jerônimo de Albuquerque, Cunha Moreira, Mariz e Barros, e Tamandaré, têm em comum o fato de que colocaram a nação acima de interesses pessoais. O legado deles agora navega em navios equipados com tecnologia de ponta e uma missão estratégica.

### Conheça os heróis que nomeiam as Fragatas Tamandaré

#### Tamandaré: o Patrono da Marinha

A primeira embarcação do programa, a Fragata “Tamandaré” (F200), foi lançada ao mar em agosto de 2024 no Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí. O nome homenageia Joaquim Marques Lisboa, conhecido como Marquês de Tamandaré, que é o Patrono da Marinha Brasileira.

Tamandaré, que nasceu em 1807 no Rio Grande do Sul, esteve presente em momentos-chave da história do Brasil, como a Guerra da Independência e a Guerra do Paraguai (1864–1870). Ele comandou a Esquadra Imperial Brasileira, unindo estratégia e educação dos marinheiros, algo que foi crucial para a formação deles.

Ele já tinha se destacado na Guerra da Cisplatina com apenas 18 anos, quando assumiu seu primeiro comando. Durante sua vida, três navios foram batizados com seu nome, incluindo o Encouraçado “Tamandaré”. Sua trajetória o levou a ser consagrado Patrono da Marinha, e o dia 13 de dezembro, data de seu nascimento, passou a ser celebrado como Dia do Marinheiro.

#### Jerônimo de Albuquerque: defesa no período colonial

A segunda fragata do programa, a F201, homenageia Jerônimo de Albuquerque, uma figura crucial na proteção do território brasileiro durante o século XVII. Ele foi o primeiro brasileiro a liderar uma frota em ações militares.

Em 1615, Jerônimo se destacou na expulsão dos franceses do Maranhão, liderando quatro embarcações com cerca de 100 homens. Ele tinha raízes profundas na cultura local, falando fluentemente português e tupi, e sua habilidade de articulação foi vital na expedição. Após a vitória, assumiu o Forte dos Reis Magos em Natal e seria homenageado pela Coroa com o título de primeiro Governador do Maranhão.

Jerônimo também desempenhou um papel importante na fundação de povoados e na redução de conflitos entre a população local e os colonos portugueses. Segundo historiadores, sua contribuição foi decisiva para a soberania do Brasil desde os seus primórdios.

#### Cunha Moreira: a construção da Marinha brasileira

A Fragata F202, que ainda está em construção, faz uma homenagem a Luís Cunha Moreira, um baiano nascido em 1777 que teve um papel significativo na Armada Real a partir de 1795. Ele participou da Esquadra Luso-Britânica, que trouxe a Família Real portuguesa ao Brasil.

Cunha Moreira foi o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de Ministro da Marinha, contribuindo muito durante as Campanhas da Independência. Ele liderou a organização da Armada Nacional e Imperial e, ao longo de sua carreira, fez escolhas estratégicas que moldaram a formação de nossas Forças Armadas.

Inclusive, ele se destacou como Comandante da Academia Nacional de Guarda-Marinha, a atual Escola Naval. Mesmo depois de se afastar, continuou contribuindo como Conselheiro de Guerra.

#### Mariz e Barros: o heroísmo em combate

A quarta fragata, a F203, também em construção, carrega o nome de Antônio Carlos Mariz e Barros, um verdadeiro símbolo de bravura. Nascido em 1835 no Rio de Janeiro, ele teve uma carreira marcada pela coragem e pelo comprometimento.

Durante a Guerra do Paraguai, serviu na Canhoneira “Jequitinhonha” e, apesar de ter sido ferido, permaneceu ao lado de sua tripulação. Em 1866, como comandante do Encouraçado “Tamandaré”, ele foi gravemente ferido e perdeu a vida em combate. Sua trajetória, mesmo que breve, se tornou uma referência de heroísmo na história naval do Brasil.

### Programa Fragatas Classe ‘Tamandaré’

Fazendo parte do Novo PAC, o Programa Fragatas Classe “Tamandaré” foi contratado em março de 2020 e é gerenciado pela EMGEPRON, em uma colaboração entre a Marinha do Brasil e a SPE Águas Azuis, que envolve nomes como Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa e Segurança e Atech. O projeto é fundamental para garantir a soberania nacional, fortalecer a indústria de defesa e consolidar a construção naval no Brasil.

Essas fragatas são navios de combate altamente capacitados, prontos para atuar em diversas situações de guerra. Eles têm a tarefa de assegurar a presença da Marinha Brasileira na Amazônia Azul, protegendo nossos interesses e rotas marítimas.

A escolha de nomes históricos para essa nova classe de embarcações não é apenas uma homenagem, mas sim um lembrete do que significou a luta e o heroísmo desses homens que ajudaram a moldar a história marítima do Brasil, agora com a tecnologia mais avançada e um olhar voltado para o futuro.

Rodrigo Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação e Semiótica, graduando em Letras. Já atuou como repórter, apresentador, editor e âncora em vários veículos de comunicação, além de trabalhar como redator e editor de conteúdo Web.

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